Desde janeiro de 2026, professores da educação básica com rendimentos mensais de até R$ 5.000 não precisam mais pagar Imposto de Renda. A mudança veio com a Lei nº 15.270/2025, sancionada pelo presidente Lula em dezembro do ano passado. E, em maio de 2026, o debate ganhou novo fôlego: tramita no Senado Federal uma proposta para ampliar ainda mais esse benefício para a categoria docente.

Quem já tem direito à isenção do IR em 2026

A Lei nº 15.270/2025 elevou a faixa de isenção geral do IRPF para todos os trabalhadores com rendimentos tributáveis de até R$ 5.000 mensais. Para quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350, há redução progressiva do imposto. Quem ganha acima disso continua sujeito à tabela normal.

Como a maioria dos professores da educação básica ganha abaixo desse teto, a categoria é uma das mais beneficiadas. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a proporção de docentes isentos saltou de 19,7% para 51,6% — o que corresponde a cerca de 620 mil professores que deixaram de pagar IR. Considerando ainda os que passaram a pagar menos, o Ministério da Educação (MEC) aponta que 73,5% dos professores da educação básica são beneficiados pela nova regra.

A medida é automática: o empregador deve aplicar a nova tabela de retenção na fonte. O professor não precisa fazer nenhuma solicitação para começar a receber o benefício. Mais detalhes estão disponíveis no portal da Receita Federal.

Quanto o professor ganha com a isenção

Para quem estava pagando IR e agora fica isento, o impacto financeiro é concreto. O Ipea estima um ganho médio anual de R$ 5.079,84 por professor beneficiado — valor equivalente a quase um salário extra ao longo do ano.

Um professor que recebe próximo ao piso nacional do magistério (atualmente R$ 5.130,63) deixa de ter qualquer desconto de IR na folha desde o primeiro contracheque de 2026. Esse valor passa a ficar disponível mensalmente para o docente.

Rede pública e privada: por que o impacto é diferente

O percentual de professores isentos varia conforme a rede de ensino. Na rede privada, onde os salários médios costumam ser mais baixos, 82,2% dos docentes se enquadram na isenção total. Na rede pública, o índice fica em 42,5%: uma parcela maior dos professores recebe acima de R$ 5.000 — especialmente em carreiras mais avançadas, com pós-graduação e progressão por tempo de serviço.

Professores com múltiplos vínculos empregatícios devem ficar atentos: a isenção considera a soma total dos rendimentos tributáveis, não cada contrato separadamente. Se o total ultrapassar R$ 5.000, o IR passa a incidir normalmente sobre o excedente.

Nova proposta no Senado quer ampliar o benefício

O debate sobre isenção do IR para professores não parou com a Lei nº 15.270/2025. Tramita no Senado Federal o PL 5.143/2025, de autoria do senador Fabiano Contarato, que propõe isenção específica para professores com rendimentos de até R$ 10.000 mensais provenientes da atividade docente. A compensação financeira da renúncia fiscal seria garantida pela tributação sobre apostas online (as chamadas bets).

Na Câmara dos Deputados, o PL 165/22 ainda aguarda votação e vai além: prevê isenção total do IR para todos os docentes da educação básica, independentemente da faixa de renda. Ambas as propostas refletem o esforço de parlamentares para ampliar a valorização da carreira docente além do piso salarial.

O avanço dessas iniciativas depende de aprovação em ambas as casas e de sanção presidencial, o que pode ainda levar meses.

Na prática: se você é professor da educação básica com salário bruto de até R$ 5.000 e ainda está vendo desconto de IRPF no contracheque, procure o setor de Recursos Humanos e peça a aplicação correta da tabela vigente. Para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, o desconto deve ser menor do que em 2025 — verifique. Na declaração anual, qualquer retenção acima do devido gera restituição.