Os professores da rede estadual de São Paulo estão convocados para uma assembleia geral nesta sexta-feira, 6 de junho de 2026, às 16h, na Avenida Paulista, no centro de São Paulo. Organizada pela APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a reunião vai definir os próximos passos da mobilização da categoria, que cobra reajuste salarial e mudanças na política educacional do estado.

Como começou a mobilização em 2026

A campanha salarial dos professores estaduais paulistas ganhou força no primeiro semestre do ano. Em abril de 2026, a categoria realizou paralisações nos dias 9 e 10, com participação em toda a rede estadual. Após os atos, a APEOESP optou por manter a mobilização com visitas às escolas, reuniões com representantes de unidades escolares, atos regionais, aulas públicas, panfletagem e caravanas.

Nas semanas seguintes, o sindicato se reuniu com professores ativos e aposentados para discutir as próximas etapas e avaliar as respostas do governo estadual. A assembleia de 6 de junho será o momento em que a categoria decide: avançar para uma paralisação mais prolongada ou buscar acordo na mediação judicial.

O que os professores reivindicam

A demanda central é a aplicação correta do piso nacional do magistério — fixado em R$ 5.130,63 para 2026 — como base de toda a tabela salarial da carreira docente no estado de São Paulo. Na prática, a APEOESP exige que todos os níveis da carreira sejam calculados a partir desse valor, e não apenas o ponto de entrada. Para professores mais experientes ou com pós-graduação, isso pode representar aumentos de 10% a 20% sobre o salário atual.

Além do salário, a APEOESP apresenta outras reivindicações ao governo estadual:

  • Retirada do PL 1316, projeto de Reforma Administrativa da Educação considerado prejudicial à categoria;
  • Revogação do sistema de avaliação de desempenho dos professores, visto como injusto;
  • Oposição à expansão das escolas cívico-militares na rede estadual;
  • Restituição de valores descontados de professores aposentados;
  • Abertura de novas turmas de EJA noturna e de Educação Especial inclusiva;
  • Cumprimento da Meta 17 do PNE 2026-2036, que prevê salários dos professores equiparados aos de outros profissionais com ensino superior.

O que acontece no dia 6 de junho

Na mesma data da assembleia, está agendada uma reunião de conciliação no Tribunal de Justiça de São Paulo entre a APEOESP e a Secretaria de Educação do Estado. O resultado combinado das duas reuniões — assembleia e conciliação judicial — vai determinar o rumo do movimento: nova paralisação, mediação ou retomada das negociações com o governo.

As aulas na rede estadual seguem normalmente até lá. Caso a assembleia decida por nova paralisação, escolas estaduais paulistas podem ter aulas suspensas nos dias seguintes. A APEOESP orienta os professores a comunicar a comunidade escolar sobre as pautas da categoria antes do ato.

Por que isso importa para professores de todo o Brasil

O debate sobre o piso como base da carreira — e não apenas como salário de entrada — é uma pauta nacional. Em vários estados, as redes reajustaram somente o piso mínimo de ingresso e mantiveram os demais níveis da tabela praticamente congelados. Com isso, professores com mais tempo de serviço, especialização ou mestrado podem ter perdido poder de compra, mesmo com o aumento formal do piso.

A Meta 17 do Plano Nacional de Educação 2026-2036, sancionado em maio, prevê que os salários dos professores da educação básica pública sejam equiparados aos dos profissionais com mesma formação em outras carreiras. A mobilização da APEOESP em São Paulo dialoga diretamente com essa meta: professores em todo o país devem verificar se a tabela de vencimentos de sua rede está estruturada corretamente a partir do piso nacional.

Independentemente do resultado da assembleia de 6 de junho, o movimento dos professores paulistas reforça um debate que afeta professores concursados, temporários e estatutários em todas as redes públicas do Brasil.