A rede federal de educação para em 10 e 11 de setembro de 2026. O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE) convocou paralisação nacional de 48 horas, com manifestações em todo o Brasil e caravanas para Brasília. A mobilização ocorre em meio ao avanço da Reforma Administrativa no Congresso Nacional e à cobrança pelo cumprimento dos acordos firmados após a greve de 2024.
Por que os servidores da educação federal vão parar?
A decisão foi tomada na 204ª Plenária Nacional do SINASEFE. A paralisação tem dois eixos: a oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Administrativa, em tramitação no Congresso, e a cobrança de compromissos assumidos pelo governo no encerramento da greve de 2024 — ainda não cumpridos, segundo a entidade, mais de 400 dias depois.
O SINASEFE busca construir unidade com a ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) e com a Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil). A ideia é expandir a paralisação para outras entidades do funcionalismo público municipal, estadual e federal, transformando os dois dias em uma mobilização ampla com marcha a Brasília.
O que a Reforma Administrativa pode mudar para o professor federal?
Os sindicatos da educação federal apontam quatro preocupações principais com a PEC que tramita no Congresso Nacional:
- Fim da estabilidade plena: a proposta prevê o fim do modelo atual de estabilidade para novos servidores, com a criação de vínculos de natureza mais flexível.
- Estágio probatório mais longo: o período de avaliação antes da estabilização no cargo seria ampliado, tornando o processo mais demorado para quem ingressa por concurso.
- Carreira mais extensa: pelo texto, todas as carreiras passariam a ter no mínimo 20 níveis até o topo, com intervalo mínimo de um ano entre progressões. Para os docentes do magistério superior federal em dedicação exclusiva, que hoje percorrem 13 níveis na carreira, isso representa uma espera significativamente maior até chegar ao topo do vencimento.
- Redução das férias: o texto proíbe usufruir de mais de 30 dias de férias por ano. Professores do ensino superior federal têm direito, hoje, a 45 dias de recesso anual — 15 dias a mais do que a proposta prevê.
A Câmara dos Deputados registrou, em audiências públicas, que professores do setor público manifestam preocupação com as perdas decorrentes da Reforma Administrativa, especialmente no que se refere à estabilidade e à progressão de carreira.
Quem é afetado pela paralisação de setembro?
A paralisação abrange os servidores da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, composta pelos Institutos Federais de Educação (IFs), pelos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs), pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), pelo Colégio Pedro II e pelas escolas técnicas vinculadas a universidades federais.
Caso a mobilização se amplie em articulação com a ANDES-SN, os docentes das universidades federais também devem aderir. Sindicatos estaduais e municipais foram convidados a participar da marcha a Brasília nos dias 10 e 11, tornando a paralisação potencialmente uma das maiores da educação pública em 2026.
O que muda na prática para o professor?
Se você atua na rede federal, acompanhe as assembleias locais previstas para os próximos dias — as seções do SINASEFE em cada estado terão orientações sobre adesão à paralisação, prazos e organização das caravanas para Brasília. Fique atento também às comunicações oficiais de sua instituição sobre eventual reposição de aulas.
Para professores das redes estaduais e municipais, a Reforma Administrativa tramita no âmbito federal, mas as mudanças aprovadas pelo governo central costumam servir de referência para projetos similares nos estados. Vale acompanhar o posicionamento do sindicato de sua categoria nas próximas semanas e participar das assembleias locais.
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