A Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) aprovou, em assembleia realizada na segunda-feira (25 de maio), a adesão à greve. A decisão chegou após a paralisação estudantil completar mais de um mês nas três universidades estaduais paulistas — USP, Unicamp e Unesp — sem que a reitoria apresentasse proposta capaz de atender as principais demandas dos alunos. Com os professores na greve, o movimento ganhou novo fôlego e reacendeu o debate sobre valorização docente e financiamento da educação pública em São Paulo.

Docentes exigem 7,4%: o que está em jogo

A Adusp exige reajuste salarial de 7,39% — composto pela variação do IPCA (4,39%) mais 3% para recompor perdas acumuladas desde 2012. Segundo a entidade, os docentes perderam 15,9% do poder de compra nos últimos 14 anos. O Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) ofereceu, até o momento, apenas 3,47% — índice que a categoria considera insuficiente para repor sequer a inflação do período.

Além do reajuste, a Adusp defende a abertura de novas vagas para docentes e técnico-administrativos, ampliação do orçamento das universidades e autonomia universitária frente aos cortes impostos pelo governo estadual.

O que os estudantes reivindicam

A paralisação estudantil tem como pauta central a assistência à permanência. A principal reivindicação é elevar o auxílio integral de R$ 885 para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista. A reitoria da USP propôs correção pelo IPC-Fipe, o que levaria o benefício a apenas R$ 912 — proposta rejeitada pelos alunos por representar ganho real quase nulo diante do custo de vida na capital.

Os alunos também cobram apuração da atuação da Polícia Militar na desocupação da reitoria em 10 de maio, quando policiais teriam usado bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra manifestantes que ocupavam o campus do Butantã.

Marcha leva 5 mil pessoas ao Palácio dos Bandeirantes

Em 20 de maio, uma mobilização de cerca de 5.000 pessoas partiu do Largo da Batata, em Pinheiros, e chegou ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para pressionar o governador por mais investimentos na educação pública estadual. Segundo o Brasil de Fato, o movimento já avançou para a Unicamp e para diversos campi da Unesp, configurando a maior paralisação nas universidades estaduais paulistas dos últimos anos.

O que muda para o professor da educação básica

A greve na USP não afeta diretamente as redes estadual e municipal de ensino, mas o movimento traz um alerta relevante para qualquer profissional da educação pública. A perda de 15,9% do poder de compra acumulada em 14 anos ilustra o que acontece quando os planos de carreira não são revisados com regularidade e quando os reajustes ficam abaixo da inflação ano após ano.

Para professores da educação básica, acompanhar as negociações sindicais e exigir que o piso nacional — fixado em R$ 5.130,63 para 40 horas semanais em 2026 — seja corrigido acima da inflação são medidas essenciais para evitar a mesma erosão salarial que hoje leva os docentes da USP às ruas.