Os professores da rede municipal de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) garantiram o reajuste de 5,4% do Piso Nacional do Magistério após uma paralisação realizada na última sexta-feira, dia 12 de junho, que suspendeu as aulas em todas as escolas municipais da capital e deixou mais de 112 mil estudantes sem atividades no dia.

O que levou à paralisação de 12 de junho

A mobilização foi organizada pelo ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública). Em assembleia realizada em 8 de junho, cerca de 300 professores aprovaram por unanimidade a paralisação após a Prefeitura de Campo Grande informar que não tinha recursos para conceder o reajuste de 5,4% previsto pela Lei 11.738/2008 — o Piso Nacional do Magistério.

O índice de 5,4% é a atualização do piso definida para 2026. O problema apontado pela Prefeitura: o repasse federal pelo FUNDEB não aumentou na mesma proporção, deixando o município sem cobertura orçamentária para bancar o reajuste obrigatório. A gestão municipal reconheceu a existência do compromisso com a categoria, mas alegou inviabilidade financeira para cumpri-lo de imediato.

8.500 professores nas ruas, 112 mil alunos em casa

Na manhã de 12 de junho, centenas de profissionais da educação foram às ruas e se concentraram em frente ao Paço Municipal de Campo Grande. A adesão foi expressiva: os 8.500 professores da REME (Rede Municipal de Ensino) aderiram à mobilização, e todas as escolas municipais da capital suspenderam as atividades. Ao todo, mais de 112 mil estudantes ficaram sem aula.

O movimento chamou atenção por sua organização: a paralisação foi anunciada com antecedência, após tentativas de negociação direta com a Prefeitura terem resultado em impasse. A categoria deixou claro que a intenção era pressionar pela aplicação de um direito já previsto em lei, não iniciar uma greve prolongada.

Prefeitura garante os 5,4% após uma hora de negociação

Após cerca de uma hora de discussões realizadas na própria manhã do dia 12, a Prefeitura de Campo Grande firmou o compromisso de conceder o reajuste de 5,4% ao magistério municipal. Porém, a forma de viabilizar o pagamento — por remanejamento orçamentário dentro da pasta da educação — ainda precisava ser definida. Por isso, uma nova reunião foi agendada para esta segunda-feira, dia 15 de junho, às 9h, na sede da Prefeitura de Campo Grande, para tratar do cronograma de implantação do aumento.

O que muda na prática para o professor da rede municipal

Com o compromisso firmado pela Prefeitura, os professores municipais de Campo Grande têm a garantia do reajuste de 5,4% sobre o piso. A data de vigência e a forma de pagamento devem ser definidas após a reunião desta segunda-feira. Acompanhe as comunicações do ACP para saber quando o reajuste entrará na folha de pagamento.

O que aconteceu em Campo Grande não é um caso isolado. O reajuste anual do Piso Nacional do Magistério é obrigatório para todos os municípios e estados — mas, em 2026, o índice de 5,4% chegou sem que o FUNDEB tivesse repasses equivalentes. Isso coloca redes municipais de todo o país em aperto financeiro para honrar o aumento. Se você é professor em outra rede municipal e o reajuste ainda não foi aplicado, fique atento às comunicações do seu sindicato: o direito existe, e a mobilização coletiva é a principal ferramenta para garantir que ele seja pago.