Professores das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro realizam uma paralisação de 24 horas na quarta-feira, 27 de maio de 2026. A mobilização é coordenada pelo Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro), com dois momentos centrais: assembleia às 10h no Club Municipal e ato público em frente ao Palácio Guanabara às 14h, onde a categoria pressiona o governador Ricardo Couto por respostas concretas às demandas salariais.

As perdas salariais da categoria em números

A principal pauta da paralisação é a recomposição salarial. Levantamento realizado pelo Sepe em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que os profissionais de educação do Rio acumularam perdas salariais de 24,07% desde 2019.

Para recuperar o poder de compra de 2014, a categoria precisaria de um reajuste de 60,29%, segundo o mesmo estudo. Somente para neutralizar as perdas desde 2019, a rede estadual necessitaria de aproximadamente 56% de reajuste sobre os salários de janeiro de 2026.

São números que evidenciam a defasagem acumulada ao longo de anos de reajustes abaixo da inflação, e que a categoria usa para fundamentar a recusa de propostas consideradas insuficientes.

O que o governo estadual já ofereceu

O governador Ricardo Couto assinou o Decreto 50.302/2026, que autoriza o pagamento das parcelas pendentes de uma recomposição salarial referente ao período de setembro de 2017 a dezembro de 2021. O índice total é de 11,56%, dividido em duas parcelas iguais de 5,62%:

  • Primeira parcela: em agosto de 2026, junto ao salário de julho;
  • Segunda parcela: em novembro de 2026, junto ao salário de outubro.

A medida representa um avanço parcial. Um acordo firmado em 2021 havia previsto recomposição de 26,5% em três etapas — segundo o Sepe, apenas a primeira foi efetivamente paga até agora. O movimento avalia que a oferta atual ainda está muito aquém das perdas reais da categoria.

Por que a data de 27 de maio foi escolhida

A paralisação foi convocada após assembleias da categoria em que os professores avaliaram as negociações com o governo estadual. Segundo comunicado do Sepe divulgado em 19 de maio de 2026, a decisão de parar no dia 27 veio acompanhada da convocação para o ato no Palácio Guanabara — espaço simbólico que sinaliza pressão política direta ao governo do estado.

A adesão simultânea das redes estadual e municipal amplia o poder de mobilização. Embora as duas redes tenham gestões e negociações separadas, a pauta de recomposição salarial é comum, o que favorece a unidade de ação.

O que muda na prática para o professor

No dia 27 de maio, professores das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro têm o direito de aderir à paralisação garantido pela legislação brasileira. As regras sobre reposição de aulas e eventuais descontos em folha variam conforme a rede e a duração do movimento — é importante aguardar comunicados da escola e das secretarias de educação.

Para quem leciona na rede estadual ou municipal carioca, vale monitorar os canais oficiais sobre o funcionamento das unidades no dia 27. O movimento também integra um cenário mais amplo: categorias em Belo Horizonte e São Paulo estavam em mobilização por pautas semelhantes de recomposição salarial ao longo de maio de 2026, segundo a Agência Brasil.

Acompanhe as atualizações diretamente no site do Sepe-RJ, principal fonte oficial do movimento, para saber os desdobramentos das negociações e eventuais encerramento ou extensão da paralisação.