O salário inicial de um professor da rede estadual pode variar mais de R$ 8.000 por mês dependendo do estado onde ele trabalha. É o que mostra um levantamento do portal PEBSP, divulgado em maio de 2026, com dados dos pisos salariais estaduais para docentes da educação básica pública. O resultado surpreende: estados do Norte e Nordeste pagam mais do que São Paulo e Rio de Janeiro — contrariando a ideia de que as maiores economias do país são as que melhor valorizam seus professores.
O ranking dos estados que mais valorizam o professor
Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional com piso inicial de R$ 13.007,12 — valor equivalente a 2,5 vezes o piso nacional de R$ 5.130,63 recém-aprovado pelo Senado em 26 de maio de 2026. Logo atrás, estados do Norte e Nordeste dominam as posições seguintes:
- Maranhão: R$ 8.452,03
- Pará: R$ 8.289,86
- Roraima: R$ 7.700,47
- Mato Grosso: R$ 7.343,44
Segundo o levantamento, esses estados, ao lado de Mato Grosso do Sul, formam o grupo dos cinco que melhor remuneram professores no início de carreira na rede estadual.
Mato Grosso entre os cinco melhores pagadores do país
Para professores da rede estadual mato-grossense, os dados trazem uma perspectiva positiva: com piso de R$ 7.343,44, o estado fica 43% acima do novo piso nacional e ocupa uma das cinco melhores posições no Brasil. O valor coloca Mato Grosso à frente de estados como Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
SP e RJ na lanterna: o paradoxo das maiores economias
No extremo oposto estão as duas maiores economias do Brasil. São Paulo remunera o professor estadual em R$ 5.565,00 na entrada da carreira — apenas 8% acima do novo piso nacional. Já o Rio de Janeiro pagava R$ 4.867,77 por mês, exatamente o valor do piso nacional fixado em janeiro de 2026, sem qualquer complementação estadual.
Com a aprovação do novo piso de R$ 5.130,63 pelo Congresso, o Rio de Janeiro será obrigado a reajustar os salários assim que a lei for sancionada pelo presidente. A diferença entre o maior e o menor piso estadual ultrapassa R$ 8.100 por mês — ainda no início da carreira.
Nova fórmula do piso garante reajuste acima da inflação
Além do aumento de 5,4% em 2026, o Senado aprovou também uma nova fórmula de correção anual permanente: a partir de 2027, o piso será reajustado pelo INPC do ano anterior somado a 50% da média de crescimento real das receitas do FUNDEB nos cinco anos anteriores. A mudança garante ganho real acima da inflação em anos de crescimento econômico. O impacto financeiro estimado da nova regra chega a R$ 6,4 bilhões em 2026, segundo o Ministério da Educação. O texto aguarda sanção presidencial.
Na prática, o que muda para o professor: estados que pagavam apenas o mínimo legal — como o Rio de Janeiro — terão de reajustar salários com a sanção da lei. Para quem já atua em redes acima do piso, como Mato Grosso, o ranking serve de referência em negociações com sindicatos e na avaliação de concursos em outros estados. A disparidade revela que, no Brasil, o local de trabalho pode representar uma diferença de mais de R$ 8.000 por mês logo no início da carreira docente.




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